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A história brilhante de Grazi: recuperação como reconstrução.

Olá! Eu sou a Grazi, uma mulher em reconstrução que não consome bebidas alcoólicas há mais de 13 anos e que hoje estou presidente da Associação Alcoolismo Feminino, aqui no Brasil. Sou apaixonada por ajudar mulheres a se libertarem não só do alcoolismo, mas de tudo o que as tornam infelizes, para se tornarem o que elas desejarem ser. Como sobrevivente de todas as formas de violências, principalmente a sexual e física estando alcoolizada, luto não só pelo fim do estigma social que nos assola por sermos alcoolistas, luto também por igualdade de gênero e respeito.


Para mim, existem 3 principais aspectos para a manutenção da nossa recuperação:

1. Nos libertarmos da autocondenação e do autoflagelo por não conseguirmos caber numa caixinha de padrões inatingíveis que essa sociedade machista e patriarcal criou para vivermos uma existência cega e dolorosa de condicionamento para a felicidade deles e não da nossa.

2. Aprendermos a nos perdoar pelas nossas atitudes enquanto estávamos extremamente doentes e a entendermos que nosso alcoolismo não nos define. Somos muito maiores e mais potentes que a nossa doença.

3. Aprendermos a ter autoestima e amor próprio, nos tornando a pessoa mais importante das nossas vidas.


Nosso alcoolismo se dá, não somente devido à uma predisposição genética, mas principalmente, devido a um histórico familiar e social de abusos. Mais de 80% das mulheres que chegam à nossa Associação afirmam terem sofrido especificamente a violência sexual e/ou física ao longo de suas vidas. Por isso, a nossa missão é ajudá-las não só a pararem de beber, mas a ressignificarem suas vidas, contribuindo na busca por autoconhecimento e mudanças de hábitos em todas as áreas de suas vidas, buscando soluções saudáveis para o enfrentamento e manejo dos problemas e no desenvolvimento de habilidade sociais, começando pela abstinência do álcool.


Em dois anos de existência, acolhemos mais de mil mulheres de todo o país, brasileiras residentes no exterior e hoje alcançamos também mulheres de Portugal e Moçambique.


Realizamos um trabalho pioneiro, de forma 100% virtual e gratuita, num ambiente seguro e acolhedor, sem julgamentos nem preconceitos.

Contamos com parcerias externas e com uma equipe de mais de 50 voluntárias, entre mulheres profissionais da saúde e mulheres em reconstrução através da nossa metodologia. Enfim, oferecemos para as nossas mulheres, para além da libertação da dependência do álcool, a libertação da sua condição humana de sofrimento. Oferecemos para as nossas mulheres a possibilidade de reconstruírem suas vidas, numa jornada, muitas vezes dolorosa, mas recompensadora, para uma vida saudável e feliz.


Apesar de não obrigatório, contamos hoje com 30 mulheres não anônimas, atuantes em nossas redes sociais, lutando pelo fim do estigma social e do preconceito, e levando informações de qualidade, não só sobre o alcoolismo feminino, mas sobre os malefícios do consumo do álcool no mundo. Precisamos de mais mulheres informadas, empoderadas e lúcidas, reclamando e lutando. Precisamos de mais mulheres em eventos como este, lutando juntas. Precisamos lembrar que, para além do estigma social que tanto nos afeta com relação ao nosso problema, ainda há muitas outras questões a serem resolvidas, como a violência contra mulheres e meninas, o feminicídio, a legalização do aborto, a desigualdade salarial, as condições de trabalho. Para finalizar, quero reforçar que o dia de hoje é um dia de luta política. Nunca mais irão nos calar. Obrigada.



Saiba mais sobre a Associação Alcoolismo Feminino sediada no Brasil.


Quer compartilhar sua brilhante história de recuperação e resiliência?


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